Patronato e Noal

Desde os 12 anos, seu João Pedro tira das pedras o sustento para viver

Pâmela Rubin Matge

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João Pedro Pereira nasceu em 1936 e, segundo ele mesmo, teve, como poucos, várias profissões em uma só vida: foi pedreiro, carpinteiro e motorista. Mas a marmoraria, atividade que exerce mesmo depois de aposentado, foi a que lhe possibilitou construir a casa, a sede do trabalho e a própria vida.

Casado e pai de cinco filhos, desde a década de 1970 ele é figura conhecida em Santa Maria pela marmoraria que leva seu nome, localizada na esquina das Avenidas Dois de Novembro e Liberdade, na divisa entre os bairros Patronato e Noal. Foi nas pedreiras que rodeavam o 5º distrito de Rio Pardo, sua terra natal, que aprendeu, com as mãos e sem professor, o ofício de uma vida.

Apontando para o Cemitério Ecumênico Municipal, que fica bem em frente à marmoraria, ele descorre sobre várias lembranças.

– Não é fácil tratar assuntos de morte, mas sempre convivi e procurei ouvir as pessoas. Já fiz muita lápide de gente rica, famílias tradicionais da cidade, e também de gente pobre – recorda Pereira.

Foto: Jean Pimentel / Agencia RBS

Uma das histórias mais inusitadas, é a de um homem solitário, solteiro e sem filho, com pais falecidos, que, aos 50 anos, chegou ao estabelecimento contando que já estava com os serviços fúnebres todos pagos. Ele, inclusive, encomendou a própria lápide, fazendo questão de deixar uma foto e o nome completo, temendo que não houvesse alguém para fazer o serviço depois que morresse.

Resistência

No interior do estabelecimento, fazem companhia ao idoso um filho que toma conta do negócio e ¿meia-dúzia¿ de gatos, contando os de Pereira e os felinos da vizinhança, que vez que outra aparecem por lá. Ha também diferentes modelos de serras, algumas lixas e a abundância de matéria-prima: pedras. 

Atualmente, o marmoreiro compra todas já lapidadas para a confecção de pias, escadas e jazigos, diferentemente dos velhos tempos, quando precisava detonar blocos à broca e trabalhar com o produto ainda bruto.

Ele faz questão de apontar e explicar a potência e a cor de cada material, como granitos amarelo-ornamental, cinza-castanho e preto, de São Gabriel, além das cerâmicas, granito e porcelanatos.

– É um trabalho que precisa ter saúde, força física, resistência e paciência – explica o experiente profissional.

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